Deformada (δ)
A curva elástica da estrutura — seu teste de sanidade mais rápido e a base de toda verificação de serviço
Uma estrutura pode ser forte o bastante e ainda assim reprovar com os usuários: pisos que vibram, coberturas que empoçam, fachadas que trincam contra um pórtico que balança. É disso que a deformada cuida. Ela também é a primeira coisa a olhar depois de qualquer análise — se a estrutura não deforma do jeito que a sua intuição espera, nenhum outro diagrama merece sua confiança ainda.
1. A Curva Elástica
Flecha é a integral dupla da curvatura, e curvatura é momento sobre rigidez — por isso a deformada sempre espelha o diagrama de momento, e por isso problema de rigidez se resolve com EI, não com fy. Usar um aço mais forte não reduz a flecha um milímetro; uma seção mais alta, sim.
Repare no L⁴: dobrar um vão multiplica a flecha por dezesseis. O vão é a variável que pune o otimismo — por isso os limites de serviço são frações de L.
Flecha vertical: a curva elástica de uma viga carregada, com δmax no meio do vão para carga uniforme.
Deslocamento horizontal (Δ): pórticos sob vento balançam; os limites protegem vedações, fachadas e conforto.

2. O Diagrama δ no CalcSteel
O botão δ do painel de diagramas desenha a curva elástica real de cada barra, interpolada com Hermite cúbica entre os nós — a barra se curva com a forma do momento, não é uma reta entre dois nós deslocados. Cores e amplitude refletem a magnitude do deslocamento.
Lendo deslocamentos na prática
- δ — alterna a deformada da combinação ativa. O desenho é exagerado para visualização; o slider de escala (0,1×–10×) ajusta o exagero sem nunca mudar os números.
- K — sonde qualquer ponto de uma barra para ler o deslocamento total em mm (em destaque vermelho) e a flecha relativa à corda — o abatimento local medido contra a reta entre as extremidades, que é ao que os limites tipo L/350 se referem.
- Orig / ENV / CB… — limites de flecha valem para combinações de SERVIÇO. Verificar flecha numa combinação de ELU (cargas já majoradas) superestima pela ordem dos coeficientes.
A leitura relativa à corda importa em barras inclinadas e de pórtico: uma terça pode viajar muitos milímetros junto com o pórtico e abater pouquíssimo em relação à própria corda — e é o abatimento, não a viagem, que trinca forro.

3. Limites de Serviço (ELS)
A NBR 8800:2008 (Tabela C.1) dá os limites clássicos de referência — valores empíricos que a experiência mostra manterem acabamentos, equipamentos e pessoas satisfeitos. L é o vão teórico, ou o dobro do comprimento no caso de balanços:
| Elemento | Limite |
|---|---|
| Terças de cobertura | L/180 |
| Vigas de cobertura | L/250 |
| Vigas de piso | L/350 |
| Vigas que suportam pilares | L/500 |
| Vigas de rolamento (vertical) | L/600 a L/1000 |
A revisão 2024 da NBR 8800 reorganizou esses limites (o Anexo C virou informativo e o limite de terças foi a L/250 no Anexo B) — confira a edição que rege o seu projeto. O AISC trata do mesmo assunto no Design Guide 3 e na tradição de L/360 para flecha de sobrecarga em pisos.
- NBR 8800 — Serviço (ELS) — como o CalcSteel roda as verificações de flecha por combinação de serviço.
- AISC 360 — Serviço (capítulo L) — o tratamento americano: flecha, deslocamento lateral e vibração.
- Página de momento fletor — a deformada é o diagrama de momento integrado duas vezes; leia os dois juntos.
Checklist de sanidade
- Deformada primeiro, sempre: carga empurrando para o lado errado, apoio que escorregou, barra liberada — tudo salta aos olhos aqui antes de qualquer número.
- Verifique flecha em combinações de serviço, e contra o limite certo: L/350 para viga de piso, L/250 para viga de cobertura — e lembre que L conta em dobro nos balanços.
- Viga que passa folgada no ELU mas reprova em L/350 está pedindo altura, não resistência: mais I, não mais fy.
- Excesso persistente de poucos por cento pode ser absorvido com contraflecha para carga permanente — nunca para esconder problema de sobrecarga.
